Viva por pequenos momentos

Não há um único dia que passe sem que eu seja bombardeado por ver pequenas famílias felizes no supermercado, casais andando de mãos dadas pela calçada em uma noite quente de verão e adolescentes tontos recém-saídos do ensino médio com seus vinte anos ainda à frente deles. Isso me enche de um tipo de solidão e saudade que não consigo expressar em palavras. A tristeza pesa muito no meu peito e não consigo me livrar dela. Seu aperto é tão incessante e persistente, e há tantos anos não conheço a vida sem esse sentimento que temo que sempre será assim. Será que o proverbial ‘elefante’ na forma de todo ‘quase’, todo quase acidente e todas as outras memórias permanecerão em meu peito pelo resto da minha vida?

O que aconteceria se toda a minha memória fosse apagada e eu não me lembrasse mais do que perdi? E se eu pudesse esquecer o abandono, a traição e todas as promessas quebradas? E se eu nunca tivesse que saber como é sentir fisicamente seu coração quebrar dentro do peito? Eu me faço essas perguntas, junto com inúmeras outras, na esperança de poder entender tudo o que suportei. Mas não faz sentido e não fica mais fácil. Ainda fico com tantas perguntas sem resposta, noites sem dormir com travesseiros encharcados de lágrimas e feridas abertas que reluto em tocar. Tenho medo de nunca chegar a um lugar onde estou verdadeiramente curado. Tenho medo de ser sempre uma mercadoria danificada e nada mais. E me pergunto como seria minha vida se momentos cruciais da minha vida tivessem me levado em outra direção. E se eu tivesse ido embora em vez de me aproximar? E se eu nunca tivesse travado meus olhos com os dele? E se eu tivesse descoberto minha voz antes, em vez de estar mais preocupado em manter a paz? Onde eu estaria agora se aqueles momentos cruciais da minha história tivessem sido escritos nas estrelas de forma diferente?

Sou um sonhador, cronicamente empático e amoroso demais. Por causa dessas características, meus pensamentos tendem a começar a vagar por uma vida alternativa em que meus dedos se entrelaçam com os dele, experimentando alegria nas tarefas mais simples, como fazer compras ou beber café com leite de aveia na varanda da frente. Se há uma coisa que eu sei com certeza nesta vida, é esta: seja muito grato por cada momento que você tem com quem você ama. Nunca, jamais tome o amor que vocês dois têm como certo, porque é uma coisa rara, frágil e passageira, e pode ser tirado de você em um instante. Então, aqueles beijos na testa e dois passos na cozinha ao som de uma música de Eric Church e rindo de uma piada de pai que ele faz que nem chega a ser engraçada? Essas lembranças acabarão sendo os momentos mais emocionantes e lindos. Por favor, viva para esses momentos. Lembre-se daqueles momentos em que a vida bate com mais força do que você jamais imaginou, quando os ventos da mudança sopram direto no pequeno paraíso que vocês construíram juntos. Esses são os momentos em que você se encontrará aproveitando os anos a partir de agora e olhando para trás com o maior sorriso. Você vai perceber, à medida que envelhece, que os pequenos momentos não são pequenos – eles são tudo.

Eles são tudo.

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