É por isso que você aguenta menos do que merece

Às vezes, ser maltratado é a única coisa mais fascinante do que ser bem tratado. É a razão pela qual suportamos a negligência e o abuso como se fossem a empresa que sempre desejamos secretamente.

Ao nosso redor, podemos testemunhar as mini-esquetes de relacionamentos ruins e, muitas vezes, até julgamos à distância, pensando conosco mesmos como nunca seríamos lamentáveis ​​o suficiente para deitar como capacho de outra pessoa – pelo menos, até que aconteça nós. O julgamento é muito fácil quando não estamos olhando para o barril de nossas próprias decisões erradas. Isso nos deixa fora do gancho quando, na realidade, não tínhamos ideia de como seria estar no gancho em primeiro lugar. Para aqueles de vocês que estiveram presos, ou talvez ainda estejam, o que torna o veneno dos outros tão inebriante para vocês?

Existe algo em dançar com o perigo que torna impossível nos afastarmos, não importa quantas vezes isso nos tire de nosso eixo. Foi aquela pitada de bondade que se revelou aquela vez, muitos anos atrás? É por isso que ficamos? Ou é simplesmente a emoção de caminhar à beira da loucura?

Cada um de nós busca reconhecimento por algo. Todos nós queremos sentir que fomos colocados nesta terra por uma razão diferente de comer, dormir, moer, repetir e morrer. Talvez seja por isso que procuramos esses sentimentos em todas as pessoas erradas. Achamos que, se não podemos nos fazer sentir especiais, talvez outra pessoa o faça. E é por isso que vale a pena nos agarrar àquele pequeno vislumbre de humanidade que testemunhamos todos aqueles tempos atrás. É por isso que tolerar a crueldade se torna uma segunda natureza.

Eu não posso te dizer quantas almas ternas eu conheço que estão presas em relacionamentos completamente destituídos de amor. O pior é que eles não acreditam que sejam dignos de um amante cujo calor corresponda ao seu. Além disso, quem poderia negar o êxtase que vem da enxurrada de intensos altos e baixos? Não somos todos secretamente viciados em não saber como nossos dramas vão se resolver? Talvez a parte de nós que paga nossas contas momentos antes do vencimento seja a mesma que sente prazer em beber veneno.

Cada um de nós ocasionalmente sucumbe ao que, no fundo, sabemos que não é bom para nós, e tudo bem. A triste verdade, porém, é que podemos inadvertidamente negar a nós mesmos uma chance de uma conexão genuína, uma chance de um amor verdadeiro. O tipo que nunca desaparece ou vacila.

Como a única espécie capaz de amar da maneira que amamos, não devemos nos conformar com coisas banais. É um desserviço não apenas para nós, mas para o belo todo do qual fazemos parte.

Todos nós entramos neste mundo com uma taça cheia de autoestima e, embora a vida tenha um jeito de nos fazer derramar em poças, podemos decidir nos encher novamente. Podemos cortar os laços com aqueles que não nos servem mais. Podemos começar de novo. E talvez algum dia, até mesmo possamos começar a nos ver como as obras de arte inestimáveis ​​que realmente somos.

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