Alguns pensamentos que tive ao descer de Shrooms

Aqui estão alguns pensamentos que escrevi vindo dos cogumelos. E editado algum tempo depois daquela viagem. Para uma música da minha banda favorita e violentamente relembrando versões de mim mesma que eu não queria lembrar. Mas fiz isso porque finalmente entendi que havia mudado. Não tem como eu não ter. Venha agora. Não tem jeito.

Você só pode articular muito. Eu poderia dizer que fui eu enfrentando a desilusão e a dor que ela deixa. Vou passar minha vida inteira tentando recriá-lo ou vou apenas sentir isso no momento? Sempre será algo que só eu saberei ser? É uma conclusão agridoce em que me inscrevi esta noite. É solitário, mas adoro a sensação de poder colocar um braço ou sete milhões em volta de mim. Amo a sensação de olhar ao redor e ver tudo e todos pelos quais lutei e acreditar que nada, nem mesmo meus piores pesadelos, será maior do que isso.

Eu me pergunto: não posso ser a única pessoa passando por isso. Todos nós estamos passando por isso? Não tenho certeza. Só sei que há mais em cada pessoa do que jamais saberei. Há mais coisas para mim do que vou entender amanhã de manhã. Que pensamento assustador. Eu sei que vai ser difícil. Um pensamento que vale apenas uma frase para refletir. Pelo menos para este parágrafo. Porque mesmo quando o amanhã chegar, ainda vou escolher ser eu mesmo e depender de quem eu me tornei.

Neste ponto, não é angústia. É um tipo de resiliência que entende e lembra de tudo que demorou para estar aqui. Isso lembra cada pessoa que fui e cada emoção que senti. Cada coisa que eu disse e gostaria de nunca ter dito. Cada coisa que fiz e gostaria de nunca ter feito. Se a humildade não doesse, ela realmente iria humilhá-lo? Isso me forçaria a me virar e dizer que quero fazer melhor?

Que enigma. Aprender com seus erros e não deixar que eles o definam. Vou encerrar o dia ou talvez apenas encerrar os 20 anos.

Não é a primeira vez que penso isso. Mas desta vez, não terei medo de sentir medo. Mesmo quando estou, porque alguns dias ou semanas, eu estou. Sempre haverá um nó em minhas entranhas que não posso negar. Mas eu reconheço que ser vulnerável é o que me empurra a ser eu mesmo e é, em essência, sendo Eu mesmo. Quem, eu não tenho certeza se fui claro o suficiente, é mais do que confiável e definitivamente feito para essa merda.

Ainda não sei o que ser espiritual realmente significa, mas é a única maneira de descrever o que estou passando. Algo na linha de voltar para casa para mim mesmo – minha humanidade, minha resistência, minhas fraquezas, meus medos, meus sonhos, minhas esperanças. A forma assustadora que às vezes todos parecem iguais, dependendo se eu me amo ou não. Lembrando exatamente quem eu sou, permitindo e aceitando quem quer que seja. E através dessa aceitação, eu a vejo se tornar alguém que eu nunca imaginei ter me tornado. Eu estou assustado.

Ficar cara a cara com o que sempre quis, quero pedir ao universo que espere um segundo. Podemos sentar por um segundo? Eu só preciso entender. Eu começo a correr para trás tentando lembrar cada pequeno detalhe da minha vidinha. Há memórias que posso aceitar e memórias que não tenho ideia do que fazer. Há pessoas que não quero lembrar e momentos que nem me preocupo em lembrar.

Momentos que me fazem desejar poder impedir o mundo inteiro de girar. Sim, o planeta inteiro. Onde eu gostaria de poder voltar antes. Antes da desilusão. Antes do acidente, eu havia previsto meses antes de acontecer. Tempos mais simples quando eu doava sem me preocupar se algum dia teria o suficiente para dar. E tempos em que ser cuidadoso não era uma segunda natureza. Eu passava aquele tempo andando por estradas movimentadas como costumava fazer quando precisava apenas pensar, preocupada com meus pensamentos para até perceber que estava sozinha. Momentos em que estranhos eram amigos, ficar doidão parecia outra chance de vida, e quando um dia ruim significava que eu podia passar mais tempo com pessoas que compartilhavam essa dor.

Eu sei que não posso voltar no tempo. E eu sei que não deveria, mesmo que pudesse. Então, escrevo este pequeno artigo de reflexão e acho que vou chamá-lo um dia.

@via

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *